sábado, 5 de agosto de 2017

O FUTURO DO PLANETA TERRA


Uma Pequena Reflexão

Altair Sales Barbosa

Para que se possa entender às questões ligadas ao futuro do Planeta Terra é pré-requisito compreender toda dinâmica que envolve a origem do próprio Universo.

Segundo os princípios da Filosofia Cósmica, que se fundamenta na Física Quântica, o universo teria originado a partir de um ponto que se tornou infinitamente quente e sólido ocasionando uma grande explosão que deu origem a vários fragmentos que entraram em processo de expansão. Entretanto, não há consenso entre os físicos e astrônomos quando mencionam este fato, se estão referindo ao Universo como um todo, ou apenas um fragmento deste, denominado Sistema Solar.

Uma explicação da origem do nosso sistema solar, associado ao material interestelar, situado num dos braços espirais da via láctea, afirma que o material entrou em colapso e foi condensado. O colapso gradual desse material associado à influência da gravidade, foi achatado e começou a rodar em sentido anti-horário.

A rotação e a concentração do material interestelar continuaram e deram origem ao Sol embrionário. A turbulência dessa nebulosa produziu redemoinhos localizados, onde o gás e as partículas sólidas se aglutinaram. O processo de aglutinação permitiu o acumulo de massas com partículas de diversas naturezas, chamadas planetesimais, que com o passar dos tempos se transformaram em corpos planetários. 

Por volta de 4 bilhões e 600 milhões de anos, uma grande quantidade de material reunido em um dos redemoinhos turbulentos, que girava em torno do recém formado Sol, deu origem ao Planeta Terra.
Da mesma forma, tendo ao centro o Sol, nebulosas gasosas se condensaram e deram origem a planetas de vários tamanhos, que juntamente com outros materiais começaram a girar em torno do Sol. Alguns planetas pequenos continuaram a incorporar materiais, que contribuíram para aumentar sua massas. Outros se colidiram e assim por diante. O processo não é tão simples.

No caso da Terra, toda vez que incorporava pequenos planetas e meteoritos, a energia da colisão se convertia em calor, formando um mar de magma. Por isso, uma bola de fogo corresponde a imagem da Terra em seus primórdios. Cada vez que havia impactos, minerais silicatados liberavam para o espaço, átomos de hidrogênio e oxigênio, que formavam moléculas H2O. No início essa água se apresentava na forma de vapor, depois houve condensação, mas a água no estado líquido, não conseguia chegar até a superfície da Terra, em função do alto nível de calor, que fazia a água evaporar. Entretanto, com o passar do tempo, houve um resfriamento que permitiu que a água da atmosfera se precipitasse sobre a Terra. Assim o planeta foi recoberto por um oceano primitivo que o circundava numa espessura média de 4 km.

A existência da água em estado líquido na superfície da Terra, possibilitou a formação de diversos tipos de rochas, cujos detalhes não cabe especificar neste artigo. Algumas dessas rochas em função da densidade, emergiram, formando as terras emersas, que depois viraram massas continentais com formas e composições variadas ao longo do tempo. Portanto, nos seus primórdios a Terra é comparada a uma bola de fogo, depois se transformou em bola de água. De lá para cá se passaram 4 bilhões e 300 milhões de anos.

É muito difícil fazer previsões. Entretanto tudo que tem um começo, um dia terá fim, pelo menos, dentro dos parâmetros que conhecemos. Não temos certeza porém se antes da grande explosão, que deu origem ao universo conhecido, já existisse algo.

Não sabemos também como os seres humanos evoluirão daqui para a frente, ou se serão extintos, por causas naturais ou por causas produzidas por eles mesmos. Casos como estes, que envolvem extinções, são corriqueiros na história evolutiva da Terra.
Sabemos que durante os bilhões de anos da sua história evolutiva, o Planeta mudou muito de configuração, já foi Pangéia, Gondwana, Laurásia. Possuía mares onde hoje existem montanhas de calcário, etc. Mais recentemente, áreas desérticas se transformaram em ambientes florestados e vice-versa etc, sem que o planeta deixasse de existir.

Sabemos também que os elementos radioativos existentes no interior da terra, que representam importantes fontes de calor. Um dia irão desaparecer ou exaurir-se. Desse modo a energia geotérmica, que movimenta o interior do Planeta, irá extinguir-se, fazendo com que o campo magnético também deixe de existir. Por repetidas erupções vulcânicas, a água existente no interior da Terra, será evaporada e decomposta, tornando-se gradualmente mais escassa.

O que se pode afirmar com base nos conhecimentos atuais é que daqui a 900 milhões de anos, a expansão do Sol poderá provocar o incremento do calor recebido pela Terra. Nesta situação, os oceanos irão evaporar totalmente. O Planeta inteiro será intemperizado e convertido numa estrela sem vida. Passados mais 5 bilhões de anos, o Sol transformar-se-á em uma estrela gigante que engolirá a Terra e todo o Sistema Solar. Portanto, se algum dia o Planeta Terra se extinguir, será por causas naturais, ou obedecendo a própria lógica da Filosofia Cósmica.



O homem com toda sua onipotência, jamais terá a capacidade de destruir a Terra enquanto planeta. O que ele pode fazer é alterar ecossistemas e nichos ecológicos, que modificam as paisagens e leva a vida à extinção, inclusive a própria sobrevivência do Homo-sapiens-sapiens.




A PEDRA FUNDAMENTAL DO MEMORIAL SERRA DA MESA



José Alves
Presidente da Fundação Serra da Mesa


2006...uma pedra fundamental foi afixada no solo marcando o início de um novo tempo. As velhas e imponentes árvores, com seus troncos retorcidos e belos, próprios do nosso rico cerrado, a que tudo assistiram, podem contar a história, e hoje, tenho muito tempo para ouvi-las, e elas querem falar! 
                   
Plantadas pelo Criador nesse lugar estratégico, viram todas as mudanças que em tão pouco tempo ocorreram. Passado e presente se encontram porém, não podem dar as mãos pois se distanciaram tanto... algumas cortadas, outras submersas, e outras viraram cinzas pelas queimadas. Assentado aqui, na entrada do Memorial, ouço-as gemendo e consigo entende-las contando tristemente a história  que presenciaram estando nesse mesmo lugar:  quando os primeiros habitantes, donos da terra que, por não terem  um papel que provassem a validade de seus direitos, tendo todavia o aval do Criador, foram expulsos; quando os rios cerceados de sua liberdade de trilhar seu caminho foi morrendo aos poucos, junto com toda pluralidade e  diversidade dos peixes e animais, aves e répteis que habitavam suas águas , rio que desaparece aos poucos como uma lágrima que seca ao escorrer pela minha face. Elas sentem falta dos animais que outrora corriam livremente, parindo suas crias e descansavam à sua sombra de galhos floridos e se alimentavam da doçura de seus frutos ímpares e tão desconhecidos ainda, tristemente os viram sendo guardados, mortos e mumificados, se transformando em peças do museu.

Sim...posso ouvi-las com seu canto triste narrando uma história passada e um presente doído sem perspectiva de futuro, enquanto o bicho homem não entender que ele morrerá na mesma velocidade com que destrói o que resta da natureza teremos que ouvir apenas lamentos dessas rainhas.

À porta do Memorial Serra da Mesa enquanto aguardo, as poucas pessoas que ainda amam essa riqueza que foi guardada com tanto amor e requinte, converso com elas... e vejo que se sentem bem quando alguém lhes dá atenção. Aqui, pelo menos, sabem que estão seguras e serão preservadas, portanto não correm o risco de desaparecerem no ar como pó.



sábado, 24 de junho de 2017

OS GEOGLIFOS DO ACRE


Altair Sales Barbosa

No atual estágio da Arqueologia Pré-histórica Brasileira, são conhecidos vários tipos de sítios arqueológicos, que de acordo com as características recebem classificações diferenciadas. Um sítio arqueológico refere-se a um local onde há vestígios de atividades humanas e, se classificam em Pré-históricos, Clássicos e Históricos.

De acordo com as características os sítios arqueológicos pré-históricos brasileiros, recebem denominações diferenciadas. Os principais são:

Sítios Cerâmicos, geralmente localizados em áreas abertas e quase sempre associados a grupos horticultores, que faziam grande uso de vasilhames cerâmicos na labuta cotidiana. Quando abandonavam o local deixavam a maior parte dos vasilhames na antiga moradia, pois além de frágeis, eram de transporte relativamente difícil. Com o intemperismo do tempo essas peças se fragmentavam dando origem a grandes concentrações de cacos de cerâmica;


Sítios Líticos, locais de antiga moradia onde não aparecem vestígios da utilização da cerâmica. Geralmente associa-se esses sítios a grupos com economia de caça e coleta; 







Sítios Líticos Oficinas, locais de exploração de matéria prima mineral, para confecção pelos indígenas de suas ferramentas, quer sejam lascadas ou polidas;



Sítios em Abrigo Sob Rocha, são locais com vestígios arqueológicos, localizados em grutas e abrigos e tanto podem conter material lítico ou cerâmico, como também outros grupos de vestígios tais como, restos de alimentos, sepultamentos, e sinalações rupestres.

Os Sítios com Sinalações Rupestres
, que estão sempre associados a outros materiais, são colocados numa categoria a parte porque às vezes são encontrados isoladamente. São caracterizados por pinturas com motivos variados e também com cores variadas. Os sítios com pinturas na sua maioria se localizam em abrigos. Dentro da grande categoria de sítios rupestres, podem ser incluídos os sítios com petroglifos que são inscrições rupestres, encontradas tanto em abrigos, como em blocos de rochas isolados, ou em lajedos de rocha dura, rente ao solo;


Sítios Sambaquis, são grandes amontoados de moluscos consumidos por populações pré-históricas, possuindo várias funções. Embora os sítios sambaquis sejam mais frequentes no litoral, também há vários registros de sua existência no interior do Brasil.





Para todas essas principais categorias de sítios arqueológicos a Arqueologia Brasileira tem hoje entendimento bem seguro para sua existência. Entretanto em 1977 o arqueólogo Ondemar Dias Junior, descobre no Acre, no vale do rio Purus algumas estruturas, até então desconhecidas na Arqueologia do Brasil, as quais atribui o nome de geoglifos e em 1988 Ondemar Dias e Eliana Carvalho, publicam o primeiro trabalho sobre o tema, atribuindo-lhes também a denominação valetas de terra.

Os geoglifos são grandes sinalizações feitas diretamente ao solo, principalmente em solo argiloso e sempre representam figuras geométricas, sendo em sua maioria, circulares ou quadradas. Consiste basicamente pela escavação de dois fossos ou valetas com profundidade que podem atingir até três metros.

Uma valeta é externa, protegida por uma espécie de mureta cuja terra é retirada da sua própria construção. A outra valeta ou fosso é interno e dista cerca de cinco metros da valeta externa. Ambas formam figuras geométricas, raramente vistas do nível do solo. No entorno das duas valetas, que formam figuras circulares, quadradas ou outras formas, são plantadas bem juntinhas fileiras de ananás, planta bromeliácea espinhenta, parente do abacaxi, que funciona como proteção, tanto para homens, como animais. O grande volume de terras retirado das valetas e acumulado simetricamente nas suas bordas, para quem observa do alto, forma-se um desenho geométrico em alto e baixo relevo.

Cada círculo ou quadrado geralmente possui uma área maior que 150 metros. A construção dessas estruturas podem estar associadas aos indígenas de línguas Jê-Pano, Karib, Kaxinawa, Aruak, que também chegaram a habitar a Bolívia e outras áreas da Amazônia brasileira.

Atualmente as pesquisas sobre os geoglifos tem motivado vários pesquisadores, cujos trabalhos tem-se resultados em dissertações e teses de doutorado.

As pesquisa também aumentaram em muito o registro dessas manifestações arqueológicas. Atualmente só para o Acre são conhecidas mais de 500 dessas configurações, é bom ressaltar que, não se restringem somente ao Acre, mas ocorrem também noutras áreas das terras altas da Amazônia e até fora do território brasileiro.

Descobriu-se também que há geoglifos que se unem por caminhos retos, as vezes formando figuras singulares. Entretanto, esses geoglifos não devem ser confundidos com aquelas figuras imensas que existem no norte do Chile e em Nasca no Peru, essas figuras são inscrições feitas no alto ou nas escarpas da Cordilheira e parecem indicar caminhos para orientação.

Também não podem ser considerados centro de adoração de influência cristã, porque o cristianismo só chega à região há cerca de 200 anos.



As primeiras escavações conduzidas pelo professor Ondemar na região de Xapuri no Acre, acusam idades situadas entre 2.000 a 2.500 anos A. P.  

Outro fator importante a salientar é que não se pode associar os geoglifos como centros cerimoniais de Impérios Civilizatórios, porque a civilização implica uma série de categorias sociais mais complexas. Na civilização existe poder centralizado com divisões de classes sociais, noção de propriedade privada, que o índio brasileiro felizmente não tem. O brasileiro tende a diminuir a importância da sociedade tribal mas a sociedade tribal é o tipo de sociedade mais equilibrada para o homem viver. Porque não há diferenças sociais. Felizmente não temos impérios pré-históricos no Brasil. É possível que os geoglifos tenham sido construídos com base numa orientação religiosa, mas não em função de uma aristocracia.

É bom ressaltar que com os avanços das pesquisa, principalmente pelo Museu Emílio Goelde, do Pará e pelas universidades de Rondônia e Acre. Além das formas comuns circulares e quadradas, descobriram-se também retângulos, hexágonos e octógonos com até 350 metros de diâmetro. E, em função do acumulo de terras férteis entre as valetas os arqueólogos vislumbram que os geoglifos foram, construídos para protegerem áreas de cultígenos associados a existência de ocas ou aldeias.
Esses monumentos arqueológicos, atualmente são considerados Patrimônios Culturais do Acre. 


                                                       Professor Dr. Ondemar Dias